segunda-feira, 14 de abril de 2008

Dia 6 - O Dia em Caño Negro e La Fortuna

O acordar mais penoso da viagem! Não por ter sido às seis da manhã, mas sim pela exigência física que o dia anterior, nas grutas, exigiu.

Pequeno-almoço e partida às 7h25m para mais uma penosa viagem de duas horas, de carrinha, até Caño Negro.

Uma paragem a meio do caminho numa pequena localidade permitiu-nos observar uma grande quantidade de iguanas e lagartos "Jesus-Cristo".



Iguana



Jesus Christ Lizard



Esta pequena localidade é a "fonte" de alimento de todos estes animais e, como tal, torna-se bastante fácil observá-los a deambularem de um lado para o outro à espera da "comida fácil".


Prosseguimos caminho até ao nosso principal destino... a Reserva Natural de Caño Negro. O nosso simpático guia ainda nos ofereceu um "salta montes" (vulgo gafanhoto) feito na hora, em folha de palmeira.


* Reserva Natural de Caño Negro
Um barco muito modesto esperava-nos em pleno rio. Alguns assentos partidos, cobertura solar/chuva rasgada e zonas de ferrugem bem grandes... era este o barco que nos ia transportar. A viagem foi feita na direcçao contrária à Nicarágua, por motivos de segurança e para não termos problemas fronteiriços...



Vimos um pouco de tudo... lagartos, iguanas, caimões, morcegos, anhingas e outros pássaros bem exóticos, peixe-agulha (Gar), macacos congo e macacos de cara branca.




Caimão



Caimão #2



Fila de morcegos a dormir em pleno tronco de árvore



À pesca... o senhor do lado direito veste uma camisola da nossa selecção nacional :)



Macaco de cara branca



Macaco de cara branca #2



Macaco de cara branca #3



Macaco de cara branca #4



Morcego



Caño Negro



Gray Necked Wood Rail



Macaco uivador



Amazon Kingfisher (Guarda rios)



Anhinga fêmea



Anhinga macho


Para podermos fotografar os macacos de cara branca mais perto, decidimos desembarcar na perigosa margem do rio. O guia foi à frente e, no salto que deu para terra, enterrou-se até aos joelhos na margem ultra lamacenta. Nós, esperando o mesmo destino do guia, procuramos saltar para uma zona que nos parecesse mais consistente... e assim foi. Cerca de dois minutos foi o que conseguimos estar em terra... primeiro uns gritos estridentes... depois o abanar enérgico das árvores e alguns "objectos naturais" a serem projectados contra nós... era o ataque estratégico destes inteligentíssimos macacos. Bandeira branca e regresso rápido ao barco para podermos prosseguir o resto da nossa viagem.



Chegado o fim de mais uma actividade bastante recompensadora, voltamos à localidade mais próxima de Caño Negro para almoçar numa tasca (na Costa Rica designam-se por Sodas) onde comemos o típico Casado... uma delícia! Dizem que a carne de iguana é muito semelhante ao frango... perguntamo-nos se, em alguma refeição, teremos provado tamanha iguaria :).

No regresso, pedimos ao guia para nos deixar em La Fortuna! Aproveitámos para fazer umas compras nas casas de souvenirs. Era impressionante a quantidade de pessoas que tentavam impingir-nos um serviço de táxis ilegal... nós rejeitámos todas as ofertas e fomos procurar algo parecido com um parque de táxis. Encontrámos e, apesar do taxista ser altamente coxo e ter algumas dificuldades em chegar com os pés aos pedais, decidimos arriscar numa viagem de cerca de 5 km até ao nosso hotel.



Depois do jantar o merecido descanso. No dia seguinte, esperavamo-nos uma viagem bem cedinho para a zona de Guanacaste... os dias secos e sem ver chuva estavam a chegar...

Dia 7 - 100km em 4horas de Viagem

Acordar... tomar o pequeno-almoço e... partida por volta das 7h30 para a zona quente de Guanacaste. Mais 4 penosas horas de estrada para fazer uns míseros 100km. Aqui poderíamos reduzir o percurso para 3h se tivessemos atravessado o lago artificial do Arenal de barco, em vez de o contornar de carro...



O Lago Arenal :)


A viagem correu bem e sem percalços.


Se até então a chuva e o calor tinham sido uma constante, num cenário de bosques com folhagem densa e verdejante, já em Guanacaste o clima é extremamente seco e quente, numa zona árida onde predominam as áreas de savana. Ao longo da estrada vamos observando inúmeros e enormes ranchos, muito ao estilo americano, com variadíssimo tipo de gado e muitos, muitos cavalos. Esta é, sem dúvida, uma Costa Rica bem diferente daquela que tinhamos conhecido até então.



Chegados ao Hotel Occidental Grand Papagayo, em pleno Golfo de Papagayo, tivemos uma recepção 5 estrelas... Fomos imediatamente recebidos por um simpatiquíssimo funcionário e... até tivemos direito a um belíssimo copo de um requintado champagne! Estavamos a ser tratados com tamanhas mordomias, ao ponto de "cheirar a mostarda"... e de facto, estávamos com o olfacto apurado! Logo a seguir deram-nos a notícia que o nosso quarto não estava em condições para nos receber (ar condicionado avariado e, segundo percebemos, a sanita estava entupida). Pediram-nos muitas desculpas, ofereceram-nos mais 3 dias que não poderíamos gozar na altura e recambiaram-nos para o fantástico Hilton Papagayo Resort Hotel, dentro das mesmas condições que tínhamos contratado com o Occidental Grand Papagayo. Enfim... e lá fomos nós... 5 minutos de viagem até ao nosso novo hotel 5 estrelas.


Nota: nós e os hóteis de 5 estrelas não temos grande compatibilidade... os problemas que nos acontecem neste tipo de locais são igualmente proporcionais ao número de estrelas :P.


Hilton Papagayo Resort Hotel! Nunca ouvimos falar tanto em "americanês"... não há maneira de simpatizar com esta gente, principalmente quando estão em grupo...!


Almoçamos e passamos a tarde na piscina... o "escaldão" estava a caminho!


Antes do jantar... tempo para a "barracada"... o chuveiro não deitava água! Puxa para fora o manípulo da torneira... empurra para dentro... roda para a esquerda... roda para a direita... puxa para fora e roda para a esquerda... empurra para dentro e roda para a direita... teimosamente a água apenas saía por uma pequena torneira, existente ao nível dos nossos pés, mas pelo chuveiro... nada!, nem uma pequena gota, sequer!


Próximo passo? Telefonar para a recepção em tom de... apoio ao cliente! A resposta obtida foi que nos iriam mandar alguém ao quarto! 1 hora e um telefonema depois... lá veio o técnico de torneiras para ver o que se passava! Uma patilha escondida debaixo da torneira (aquela que estava ao nível dos pés) fazia toda a magia e, de repente, parecíamos miúdos a tomar banho nos vulcões de água da expo 98!


Após o atribulado banho... apanhar o autocarro para o centro do resort onde se concentravam os restaurantes e afins! Se há coisa que ainda estamos para perceber é o conceito de "apanhar o autocarro" em pleno resort! Não era suposto desligar dos hábitos diários? Esquecer horários, horas de ponta, comboios, autocarros e filas de trânsito? E qual é o interesse de ir para um resort onde existe tudo isso numa dimensão mais pequena? Enfim...


Depois do belíssimo jantar... apanhar o autocarro para o quarto... era necessário ir dormir porque os dias seguintes iam ser... errr... "descansativos"!

Dia 8 - Guanacaste

Acordámos sob isenção de horário. A manhã passámo-la na praia, a tomar banho nas águas mornas do Pacífico e a caminhar pela areia de origem vulcânica.



A S. na apresentação do nosso quarto


Perto da hora do almoço, demos uns mergulhos na piscina e bebemos umas bebidas para nos refrescar de tanto calor.



Piscina



Piscina #2



Piscina #3



A S. queria experimentar TODAS as bebidas do cardápio


Passámos toda a tarde a dormitar à sombra das cabaninhas, nas nossas espreguiçadeiras. Mas nem a sombra nos livrou do malfadado escaldão.



O P. a descansar do descanso


Seeeeeeca!!!!!


Estávamos a viver momentos de ressaca. Depois da euforia, da adrenalina dos dias anteriores, aqui não se fazia nada.


Férias para nós nunca foi sinal de descanso. Para descansar fica-se em casa. Nunca compreendemos muito bem o fenómeno de quem gasta imenso dinheiro em férias para descansar... ai o que não faríamos com o dinheiro de descanso de tanta gente junta :D



Praia



Praia com bandeira da Costa Rica



Mais praia


Foi a primeira vez que estivemos num resort e chegámos à conclusão que a vida de rico não é para nós. Mordomias a mais, comida e bebida à descrição não nos enche as medidas.


Parecíamos animaizinhos fora do seu habitat natural. Olhávamos à nossa volta e a cara dos americanos revelava um gozo imenso por aquela vida de "dolce fare niente".

Sentimo-nos uns autênticos "outsiders"; passámos o tempo a observar um fenómeno comportamentalista que escapava totalmente ao nosso entendimento (isto daría um bom estudo de caso para uma qualquer matéria ligada a áreas de Psicologia/Sociologia).

Se tivessemos que ter mudado alguma coisa na nossa viagem, seriam estes dois dias num resort na praia. Agora, teríamos feito um desvio na rota para Monteverde ou para o Parque Nacional Manuel António. Mas por outro lado, teríamos perdido a oportunidade de ficarmos a saber que afinal passamos melhor sem o glamour cintilante das 5 estrelas.

No fundo, no fundo, até somos uns sortudos... gastámos apenas dois dias e contentávamo-nos pensando, já vamos embora amanhã :P.



Lagarto - apareceu-nos ao pé da espreguiçadeira à procura de comida



Caranguejo



A evitar escaldões...

Dia 9 - Estrada Pan-Americana

Dia de partida para San José.


A manhã ficou comprometida por causa dos tipos do Occidental Grand Papagayo. Marcaram connosco às 10h da manhã para assinar umas papeladas que nos dão direito a 3 dias gratuitos em qualquer hotel da rede deles no México, República Dominicana ou Costa Rica... enfim, algo que não vai ser usado e obrigou-nos a perder uma parte da manhã fora da piscina! Almoçamos no Hotel e partimos às 14h30 direitos à capital no nosso transfer.


Apanhamos a estrada Pan-Americana! Esta estrada atravessa toda a Costa Rica, de Norte a Sul, ligando a Nicarágua (a Norte) e o Panamá (a Sul). Como tal, e tendo em conta a importância desta via, pensamos nós que esta viagem de 200km demorasse pouco mais de 2h... estavamos tããão enganados... levamos cerca de 5h a chegar a San José pela estrada Pan-Americana. Para terem uma ideia, é muito parecida com a nossa estrada nacional que liga Lisboa ao Porto, mas pior. Mesmo assim podemos dizer que 5h até é pouco tempo... considerando a condução altamente suicida do nosso "transferista"! Ao longo de toda a viagem, foram constantes as ultrapassagens a camiões enormes e em cima de curvas, por cima de duplos traços contínuos e a velocidades de 200km/h em estradas completamente esburacadas.


Depois dos primeiros 2Km, o P. achou por bem usar cinto de segurança (além de ser obrigatório o seu uso)



Cada curva era feita mais rápida do que a anterior! Ultrapassagens em curvas e pisar DUPLO traço contínuo... enfim... só emoção :S



Velocidade e casas típicas



Velocidade e casas típicas #2



Araras



Araras #2



Araras #3



Araras #4


Já em San José somos recebidos com uma forte chuvada e um trânsito infernal...

Ficámos novamente hospedados no Hotel Torremolinos e por lá jantámos.

Dia 10 - San José

De manhã fizemos uma visita à cidade. Passámos pela Assembleia da República, seguimos depois em direcção ao parque central. No centro encontrámos a tão famosa exposição mundial itinerante - Cow Parade (uma verdadeira manada de vacas).



À saída do museu nacional



A vaca que reflecte o espírito costa-riquenho



O P. esteve lá!



Finalmente... as tartarugas a desovarem...


Depois seguiu-se uma visita ao Teatro e Museus Nacionais, à Igreja Matriz, uma passagem em frente à casa do Presidente da República e, por fim, acabámos numa loja de jóias, onde não comprámos nada, mas onde pudemos apreciar algumas peças bem bonitas.




Teatro Nacional



Teatro Nacional #2



Teatro Nacional #3



San José



As manequins XXXL expostas nas montras das lojas de roupa



Interior da igreja matriz



San jose e o trânsito caótico



Mais uma para a posteridade



Parque central de San Jose



Banco da Costa Rica


Regressámos ao hotel, almoçámos no meio de executivos e partimos para o Aeroporto. Os dias de férias tinham chegado ao fim, mas levávamos a certeza e a sensação de termos feito de facto uma VIAGEM.



Sem dúvida que nos preencheu os dias. As expectativas que tinhamos em relação ao destino escolhido, para marcar uma fase tão importante nas nossas vidas, tinham sido mais do que superadas.



Levávamos connosco as melhores memórias de um país que respira natureza e nos faz inspirar e expirar pura vida.